Polícia abre inquérito para apurar maus-tratos a crianças em creche particular

A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar uma denúncia de maus-tratos e omissão nos cuidados de crianças na escola infantil Casa da Vovó, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. A instituição nega as acusações.A notícias é do site G1.

A denúncia foi feita pelos pais de uma criança de 1 ano e 6 meses que frequentou a escola durante 10 dias. A família afirma que reuniu relatos de outros pais de crianças que frequentaram o local e conversas com ex-funcionários.

O documento, entregue à polícia, aponta que ao menos 23 crianças passaram por maus-tratos na escola. Há também vídeos feitos por ex-funcionários com registros dos maus-tratos. Segundo a família, a mensalidade custa em torno de R$ 3 mil.

O caso foi registrado no 14° Distrito Policial, em Pinheiros. Na semana passada, a família apresentou ao delegado representação criminal contra a diretora e duas educadoras pedagógicas da creche.

Entre os fatos descritos pela família estão agressões físicas e verbais como beliscões, apertar o olho da criança quando ela não queria dormir, castigos em pé durante horas em um local isolado e fechado, obrigar a criança a comer e jogá-lo embaixo do chuveiro gelado, com roupa, enquanto chorava.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) confirmou a denúncia e disse que o delegado responsável pelo caso já intimou testemunhas para prestarem depoimento.

Em nota, a escola disse que as imagens divulgadas “não representam em absoluto a filosofia de acolhimento e afetividade” da escola, onde não cabe “nenhuma tolerância a maus-tratos”.

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A escola alega que “todas as providências cabíveis foram tomadas, até o mesmo o afastamento da funcionária, com o objetivo de manter a sua segurança e de todos que estão envolvidos nesse caso”.

No texto, a direção da instituição diz estar “em processo de revisão dos procedimentos internos” e afirma que um grupo de mães fez um abaixo-assinado defendendo a escola. A reportagem do G1 recebeu o telefonema de uma delas confirmando a informação.

Segundo Miguel Silva, advogado da família que denunciou o caso, além do menino, outras criança que frequentavam a escola eram submetidas “a sessões de tortura” por parte da diretora e das coordenadoras pedagógicas, “inclusive com arremesso de água gelada na face das crianças, impondo aos menores um verdadeiro circo de horrores”.

“Meu filho ficou 10 dias na escolinha e passou a apresentar um comportamento estranho. Até hoje, ele não come de colher, só quer comer com as mãos. Logo nos primeiros dias que ele esteve na escola, passou a chorar a toda hora, ter medo e não querer dormir à noite sem a luz ligada. Achei estranho e resolvi tirar ele da escola”, disse ao G1 a assistente social Andréia Souza, responsável pela denúncia.

Imagens obtidas pela família com ex-funcionários, e que foram entregues à Polícia Civil, registram crianças isoladas em quartos fechados, sem iluminação ou ventilação, ou perto de baratas mortas. Também há imagens de alimentos vencidos, lixo perto dos menores, e descuido com a comida armazenada, como leite colocado junto a um vaso sanitário.

“Ele voltava para casa com uma nova roupa, trocada, e a roupa que ele havia usado, mandavam em um saco plástico, molhada. Ia na escola e perguntava o que houve e me respondiam que ele havia ‘feito cocô’. Mas a roupa molhada estava limpa! Neste ano, um ex-professor me procurou contando o que faziam, que colocavam as crianças no chuveiro gelado quando choravam”, acrescentou Andréia.

Histórico

Andreia diz que, em fevereiro, após fazer uma cirurgia, foi procurada por um ex-professor da escola, que disse ter um vídeo que mostrava seu filho sendo agredido enquanto almoçava. No vídeo é possível ver uma das coordenadoras pedagógicas forçando o menino a comer, colocando uma colher cheia de comida com força em sua boca seguidas vezes.

O menino se engasga, chora bastante, mas mesmo assim a coordenadora continua com a alimentação forçada.

“Falei com diversas mães e nos abraçamos ao relembrar o que nossos filhos sofreram. Eu sabia que algo tinha acontecido, mas não sabia, até então, o que era. Ao conversar com ex-funcionários, alguns deles me relataram, até mesmo, que pararam de trabalhar na escola porque não aguentavam o que viam. Eles não tinham o mínimo de cuidado com as crianças, muito pelo contrário”, diz Andréia.

“A gente paga caro e coloca nas mãos de pessoas que acreditamos ser idôneas nossos filhos, achando que serão bem-tratados. A escola tem credibilidade, você acredita. Daí seu filho muda de comportamento de uma hora para outra, começa a chorar toda vez que vê o uniforme da escola, e você não consegue imaginar o descuido que está acontecendo”, acrescenta ela.

Veja na íntegra a nota da escola Casa da Vovó sobre a denúncia:

“Gostaríamos de nos posicionar perante aos pais e à nossa sociedade, referente aos vídeos divulgados, que não representam em absoluto a filosofia de acolhimento e afetividade com as nossas crianças, portanto, não cabendo nenhuma tolerância a maus tratos.
Efetivamente, todas as providências cabíveis foram tomadas, até o mesmo o afastamento da funcionária, com o objetivo de manter a sua segurança e de todos que estão envolvidos nesse caso. Estamos em processo de revisão de procedimentos internos e empenhados em esclarecer toda a verdade.
Somos uma instituição séria de mais de 40 anos de existência com metas claras de transparência e parceria para uma primeira infância feliz e no desenvolvimento de cidadãos do bem.
Diretoria da escola.”

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