Saúde

Andar nas pontas dos pés é a segunda reclamação nos consultórios de ortopedia pediátrica no Brasil

No início, todos achavam graça quando a pequena Melissa, de quatro anos, andava nas pontas  dos  pés. Ela rodopiava pela sala, fingindo ser bailarina ou, melhor, como ela mesma dizia: “bailarina princesa”. Toda a família elogiava, achando que a menina levava mesmo jeito para o balé. Mas, o que era engraçadinho, logo se tornou uma preocupação, quando a mãe, a dona de casa Luana Andrade passou a observar que a filha passava a maior parte do tempo sem colocar os calcanhares no chão.

No consultório, o médico citou o termo “marcha equina”, pelo fato do andar lembrar o dos cavalos. Após alguns exames, o ortopedista diagnosticou que a criança não tinha nenhum problema físico. Ela andava assim porque simplesmente tinha se acostumado. O surpreendente é que esse comportamento de Melissa é mais comum do que se imagina. De acordo com um levantamento feito pelo setor de ortopedia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é a segunda causa de reclamação nos consultórios, logo após o “pé chato”. A incidência do problema fica entre 7% a 24% da população infantil.

A “marcha equina” é comum em crianças de até dois anos de idade, que ainda estão desenvolvendo o andar e têm o sistema nervoso igualmente em formação. Mas, se o hábito se arrastar, pode sinalizar problemas de ordem física, motora e sensorial. A primeira causa é a Hipóxia Peri Natal, que leva a um atraso no desenvolvimento e a uma marcha dessa forma. A segunda é o Encurtamento Congênito do Tendão de Aquiles (ECTA). “Na maioria dos casos, esse andar é espontâneo. Contudo, caso contrário, a criança precisa de  tratamento que vai depender da idade e do grau de encurtamento do tendão, podendo ser necessária a cirurgia”, explica Dra. Simone Simis, médica ortopedista  pediátrica da clínica Ápice Medicina Integrada.

Apesar de ser caracterizado como congênito, o Encurtamento do Tendão de Aquiles nem  sempre é detectado no nascimento e, muitas vezes, mesmo com a criança andando nas pontas dos pés, os exames acusam normalidade, podendo se agravar com o passar do tempo.  A médica explica que, se a criança é mais nova, o primeiro recurso é a fisioterapia. “Esse tratamento consiste na fisioterapia e aplicação da toxina botulínica no músculo encurtado. Porém, se a rigidez articular for intensa, é preciso a cirurgia. O procedimento cirúrgico tem o objetivo de alongar o tendão e necessita de imobilização de 4 a 6 semanas”, explica a médica especialista.

Por isso, é importante que os pais fiquem atentos ao desenvolvimento dos filhos e procurem um médico, caso necessário. “Após os três anos de idade, esse tipo de andar não deve ser incentivado e os cuidadores também não devem usar mecanismos que favoreçam esse hábito, como o uso de andadores, por exemplo. Caso seja diagnosticado algum problema, somente o especialista saberá o correto a fazer”, orienta a ortopedista. “Afinal, andar nas pontas dos pés só  é bonito mesmo no balé”, finaliza. 

A clínica Ápice Medicina Integrada fica localizada na Rua Eulália da Silva, 214, no Jardim Faculdade, em Sorocaba/SP. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (15) 3229-0202 ou pelo site: www.apice.med.br.

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