Economia

Dólar recua a R$ 4,24 após renovar recorde histórico

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A moeda norte-americana caiu 1%, a R$ 4,2158. No entanto, no mês ainda há alta acumulada de 5,14%

Depois de fechar em máximas recordes por três sessões seguidas, o dólar comercial recua nesta quinta-feira (28), com mais uma intervenção do Banco Central no câmbio, além de notícias mais pessimistas sobre a possibilidade de Estados Unidos e China fecharem um acordo comercial.

O dólar comercial é negociado a R$ 4,246, uma baixa de 0,28%. Na Bolsa, o Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, opera com estabilidade e sobe 0,03% aos 107.740 pontos.

Ações de bancos, que têm maior peso no índice, reagem negativamente à decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) que aprovou resolução mudando a dinâmica do cheque especial. Agora a taxa de juros cobrada de quem utiliza essa linha de crédito não poderá superar 8% ao mês — cerca de 150% ao ano.

Atualmente, a taxa estava em mais de 300% ao ano tornando o cheque especial a linha mais cara de empréstimo no mercado, ao lado do cartão de crédito.

As ações ordinárias do Itaú (ON, com direito a voto) caem 1,16% a R$ 29,85, enquanto as preferenciais (PN, sem direito a voto) recuam 0,89% a R$ 34,38. Já as ações preferenciais do Bradesco perdem 1,34% a R$ 33,02. As ordinárias do Banco do Brasil recuam 0,30% a R$ 47,20.

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As ações da Petrobras também trabalham no campo negativo. A petrolífera anunciou que vai reduzir seus investimentos nos próximos cinco anos. O novo Plano Estratégico 2020-2024 prevê investimento de US$ 75,7 bilhões, 10% a menos que o anterior (2019-2023), que previa US$ 84,1 bilhões, informou a empresa em nota nesta quinta-feira. Os papéis preferenciais da estatal recuam 0,75% a R$ 29,11, enquanto os ordinários perdem 0,95% a R$ 31,20.

No câmbio, o Banco Central voltou a intervir no mercado com uma estratégia diferente das três intervenções anteriores, realizadas entre terça e quarta-feiras. Nesta quinta, o BC anunciou oferta líquida de até US$ 1 bilhão em moeda à vista, numa tentativa de melhorar a previsibilidade ao mercado e ajudar a acalmar a cotação do dólar.

Para analistas do mercado, a sinalização é de que o BC não vai tolerar a cotação acima de R$ 4,27. O Banco Central vendeu o US$ 1 bilhão em moeda à vista ofertado no leilão extraordinário.

“O Banco Central está deixando claro que não está satisfeito com o atual patamar da moeda e que tem ‘artilharia’ suficiente para dar uma resposta ao mercado”, explicou em nota Jefferson Rugik, da Correparti Corretora.

Disparada do dólar

Maurício Pedrosa, estrategista da corretora Áfira, avalia que sempre que houver formação artificial de preço como está acontecendo agora, o BC deverá intervir. O mercado vem testanto o Banco Central após declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que não está precoupado com a cotação do dólar.

– Sempre que houver a formação artificial do preço o BC deverá intervir para reduzir a volatilidade – disse Pedrosa.

Nos EUA, o feriado do Dia de Ação de Graças (Thanksgiving) também ajuda a reduzir a liquidez dos negócios. Amanhã, quando se realiza a Black Friday, dia de promoções no varejo, os negócios com câmbio também devem ser reduzidos.

A intervenção do BC trouxe certo alívio para o real, mas Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, alertou para a permanência da volatilidade nos mercados.

– A queda não pode ser tomada como definitiva. O mercado ainda não achou referência para a taxa de câmbio. Ainda é um quadro muito volátil – disse.

Segundo Campos Neto, em caso de nova aproximação do dólar a recordes máximos, há probabilidade de ainda mais atuação do Banco Central, caso seja identificado um movimento exagerado e fora de contexto.

Nesta sessão, o BC não vendeu contratos de swap cambial reverso ou dólar à vista, de oferta de até 15.700 contratos e US$ 785 milhões, respectivamente. Adicionalmente, o BC leiloa contratos de swap tradicional para rolagem do vencimento janeiro de 2020.

No exterior, o mercado permanece de olho nas tensões comerciais, depois que a China alertou os EUA que tomará “contramedidas firmes” em resposta à legislação norte-americana que apoia manifestantes contrários ao governo em Hong Kong, dizendo que tentativas de interferir na cidade com comando chinês estão “fadadas ao fracasso”.

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