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Artigo: Deterioração do patrimônio histórico

J. R. Guedes de Oliveira

Como capivariano de nascimento, vejo, com imensa tristeza, o descaso do poder público para com o patrimônio histórico da cidade, em larga extensão, que vai dos monumentos e casarios, passando por biblioteca, antiga cadeia pública e museu histórico.


Observei, nestes anos, como a falta de sensibilidade e impulso para com a cultura se avultaram a tal ponto de tornar a nossa história perdida no tempo e no espaço.


Com referência aos casarios (exemplos, como a Casa do Lembro e a Casa de Júlio Ribeiro), fadado ao total esquecimento, sem nem mesmo uma placa indicativa do que representou no passado e as figuras que lá estiveram.


Na questão do Museu Histórico (de há muito se encontra jogado, esquecido, literalmente abandonado às traças) é um desconsolo. Na questão da Biblioteca Pública, desprezada totalmente, com falta de funcionários inclusive para a sua organização (hoje, num outro lugar isolado e sem perspectiva). Um abandono total.


Penso que o poder público deve possuir algo de impulso para promover a cultura, a defesa do patrimônio e a sua acessibilidade a todos. Sem estes fatores, fatalmente as novas gerações não vão conhecer ou nem vão se espelhar nos que deram a sua parcela significativa para o bom nome da cidade.


Mas, com tudo isso, sou taxado de “chato”, por, quando em vez, acionar o Ministério Público, em busca de solução. Não podemos nos esquecer que subsidiariamente, concorrente ou coo-responsável, somos impelidos pelo amor à cidade natal. Se o poder público federal ou estadual, não dá a devida atenção, o poder municipal se municia de suas iniciativas e defende estes ditos patrimônios. Aliás, defesa que seria com unhas e dentes. Isto é obvio e que nem precisaria ser citado.


A riqueza histórica da cidade, se desmancha a cada momento da inércia e da estática que se pronuncia, largamente. Quando não se tem a resposta vinda de outros organismos superiores, os organismos inferiores devem, precisam e se colocam à serviço da comunidade para a defesa do que é nosso. Quando isto não ocorre, no silêncio abominável, perdemos a nossa identidade, a nossa história, a nossa agulha da bússola, indicando o norte. Este norte que falo, é a referência do que foi produzido e feito com tanta dedicação pelos nossos antepassados.


Creio, sinceramente, que estamos às escuras. Muitos se escondem. Outros falam e gritam (como eu) e recebem o furor dos ventos contrários. Mas não há o que se deter. Lembro-me, sempre, de que a pequena parcela de contribuição, surte o efeito desejado: levantam-se outras vozes em desabafo pelo descaso total.


Se o meu querido amigo e irmão, saudoso Vinício Stein Campos fosse vivo, estaria ao meu lado, também urrando por tudo o quanto vejo e falo.

J.r. Guedes de Oliveira

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