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Mulher passa 15 anos na cadeia por abusos cometidos pelo pai de seus filhos

A americana Tondalao Hall saiu da prisão na última sexta-feira (8) após 15 anos encarcerada por maus-tratos contra seus filhos, mesmo com laudos apontando que ela nunca os agrediu. Ela foi condenada a 30 anos de prisão por não protegê-los do pai, que também a agredia.

Ela tinha 19 anos e três filhos pequenos quando levou um deles ao hospital, por conta de um inchaço na perna. Os médicos descobriram que o garoto de um ano de idade e a filha mais nova do casal, de três meses, tinham fraturas no fêmur e nas costelas.

O estado onde ela mora, Oklahoma, é um dos que adotam a polêmica lei que permite que vítimas de violência doméstica muitas vezes recebam penas mais duras que os agressores. Foi o caso de Tondalao Hall: enquanto ela passou 15 anos na prisão, o pai das crianças ficou preso por apenas 2 anos.

Ao sair da penitenciária, Hall chorou e disse a um grupo de repórteres que se sente “abençoada por estar com a família”. Enquanto estava presa, ela fez um curso supletivo e tirou uma licença para trabalhar com cosmetologia.

“Trabalhei muito para ser a mãe que meus filhos precisam que eu seja.”

Ela saiu da prisão antes do fim da sentença por decisão unânime da Comissão de Indultos e Liberdade Condicional de Oklahoma. Na semana passada, o governador do estado autorizou sua libertação.

A advogada Megan Lambert, que trabalhou para que Hall fosse liberta, conta à BBC News Brasil que o caso dela não é raro. Alguns casos acabam em prisão perpétua:

“O caso de Hall é terrivelmente injusto, mas não é único. Há muitas outras mulheres que também foram abusadas por seus parceiros e agora estão presas por não terem conseguido deter os homens que as agrediam”, conta.

Lambert argumenta que, além de separar famílias, essa lei impede mulheres de denunciarem violência doméstica, já que cria nas mulheres medo de serem condenadas por não conseguirem proteger as crianças.

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