Governo de SP anuncia na quarta finalização gradual da quarentena

Da Folha de S.PAULO – O governo de São Paulo começa a anunciar nesta quarta-feira (22) as medidas de reabertura gradual da atividade econômica que foi paralisada devido às medidas de contenção da epidemia de coronavírus.

Nas palavras do vice-governador, Rodrigo Garcia, trata-se de adoção de “isolamentos ou quarentenas heterogêneas”.

“Até 10 de maio, nada muda na quarentena em S.Paulo. A partir de 11 de maio, colocaremos em prática um programa em fases, para manter a orientação da ciência e liberar gradualmente a economia. Mas repito, até dia 10 de maio, nada muda”, disse à Folha o governador João Doria.

Primeiro, deve ser permitida a abertura de comércios de rua, mas as autorizações devem depender da situação específica de cada cidade ou região —o ritmo vai depender do aumento do andamento da epidemia, do número de casos em cada região.

Está previsto que as medidas de contenção mais gerais devem durar até 10 de maio. A partir do dia 11, parte dos negócios serão autorizados a funcionar, de modo ainda a ser definido de modo mais detalhado.

“O plano está em construção, em desenvolvimento, e depende de pactuação com setores econômicos”, diz Garcia. Até dia 10 de maio, o governo espera ter mais dados sobre o espalhamento da Covid-19.

“Um plano sólido depende da curva epidemiológica, de capacidade de tratar dos doentes, de capacidade de testes, de uma série de condições. Mas também depende de acordo com cada setor de atividade”, explicou Garcia.

Segundo o vice-governador e secretário de Governo, essa pactuação envolve discussões tais como o tipo de segurança que haverá para trabalhadores e clientes das empresas. Por exemplo, o uso obrigatório de máscaras por parte dos empregados de cada empresa.

As diretrizes da reabertura gradual estão sendo definidas pelos secretários Henrique Meirelles (Fazenda) e Patrícia Ellen (Desenvolvimento Econômico). Grupos de médicos, epidemiologistas, empresários, economistas e técnicos do governo discutem ainda o plano e as condições da pactuação.

“Ainda não temos detalhes, está sendo discutido e será ainda discutido à medida que sejam criadas as condições.” A reabertura “heterogênea” vai depender das informações coletadas pelo governo paulista.

Há um sistema de rastreamento de possíveis doentes por telefone, feito pelo Seade (o “IBGE paulista”), há as medidas de isolamento (feitas por meio do acompanhamento das movimentações de usuários de telefone celular) e das movimentações no sistema de transporte.

A partir de 15 de maio, o governo paulista também vai começar testes por amostragem, a exemplo do que já vem sendo feito no Rio Grande do Sul.

Nesse programa, uma parte da população faz um exame de infecção pelo coronavírus, em várias etapas intercaladas por alguns dias. Desse modo, se pode estimar o grau de contaminação na população inteira e o avanço da epidemia, o que permite planejar a necessidade de equipamentos para tratar a doença e pensar o ritmo do fim do isolamento.

MAIS TESTES

Também nesta quarta-feira, Doria deve anunciar que acaba o “represamento” dos testes de infecção por coronavírus no estado. Isto é, não haveria mais fila para a confirmação dos casos da doença. Até sexta-feira passada, havia 9.400 exames na fila.

Segundo Garcia, a capacidade de testes chegou a 2.000 na rede de 32 laboratórios que atende ao sistema de saúde pública no estado (mais testes estão sendo feitos na rede privada, sobre a qual o governo não tem controle).

Segundo Garcia, a demanda atual é de 1.300 novos testes por dia. Assim, agora “sobrariam” cerca de 700 testes para serem aplicados em pessoas que estão hoje fora da fila de prioridade (doentes nos hospitais, pessoal da saúde, pessoal da segurança pública).

“Pessoas que chegam com sintomas respiratórios, quadro de gripe, vão ser testadas. Mais gente vai poder ter diagnóstico mais cedo”, diz Garcia.

A partir de meados de maio, a capacidade de testes vai para 8.000 por dia na rede pública, segundo o vice-governador. Nos dias 14 e 18 deste abril, chegou a São Paulo o estoque de 1,3 milhão de testes que o governo paulista havia encomendado na Coreia do Sul.

UTIS

Segundo o governador, o número de leitos de UTI na rede pública estadual passou de cerca de 3.500 para 5.300 do início da crise até agora. O estado também tem procurado importar ventiladores respiratórios. Encomendou a importação de cerca de 2.000 aparelhos, que ainda não chegaram.

Garcia diz que a capital está com lotação de cerca de dois de cada três leitos de UTI, mas na Grande São Paulo e, ainda mais no interior, a taxa de ocupação seria menor. “Se for necessário, podemos deslocar a ocupação para o interior”, diz.

No estado inteiro, na soma de UTIs na rede estadual, em hospitais municipais e também nos filantrópicos e privados, haveria 15 mil leitos.

Ainda segundo o vice-governador, para a rede estadual haveria um estoque de 30 dias de EPIs (equipamentos de proteção individual, para uso do pessoal no serviço de saúde).

Redação

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