A SAGA DE OCTAVIANO AUGUSTO ALVES DE LIMA: UM EMPREGADOR DAS FAMILIAS PAGOTO, ARMELIN, MASCHIETO, BERTIN E OUTRAS

por Arnaldo Battagin, outubro 2018

Estimulado por meu amigo Luiz Gustavo Parise, genealogista amador como eu, na procura de informações sobre as Fazendas Diamante e Ribeirão Fundo em Tietê para onde migraram originalmente seus antepassados antes de se estabelecerem em Conchas, resolvi investigar sobre o proprietário dessas fazendas, Octaviano Augusto Alves de Lima .


Octaviano me despertou a atenção por ser também dono da Fazenda São João ,situada na antiga Villa Raffard, então município de Capivari para onde se dirigiram as famílias de Donato Armelin e Angelo Maschietto em 1887. A família de Sebastiano Pagotto tambem chegada em 1887 inicialmente se estabelecera na fazenda de Antônio Ferreira Rosa, em Vila Raffard, mas pouco tempo depois se transferiu para a Fazenda São João .


De início descubro que a italiana Anna Maschieto, nascida em 1867 , filha de Angelo e moradora da Fazenda São João se casa em novembro 1888 com Giovanni Bertin,viúvo, italiano, nascido em 1852, morador da Fazenda Ribeirão Fundo. Interessante que o irmão de Giovanni , Innocente Bertin já havia se casado com Regina Maschietto ,irmã de Anna em Lutrano, província de Treviso e se estabelecera na Fazenda Ribeirão Fundo . Angelo Maschietto era pai também de Giovanni Maschieto que viria a se casar com Magdalena Armelin Maschietto , com vasta geração e irmã da minha bisavó Teresa Armelin Cattel e irmã também de Maria Luigia Armelin Juliani casada com Michele Iuliani (Miguel Juliani), antepassado de todos os Juliani estabelecidos em Capivari.


Não consegui descobrir muitas informações sobre as fazendas, mas um aspecto ficou claro: as fazendas Ribeirão Fundo e São João eram duas fazendas distintas pertencentes ao mesmo proprietário pois havia dúvidas sobre esse fato e provavelmente a Fazenda Diamante foi um desmembramento da Fazenda Ribeirão Fundo.


Apesar dessa pequena frustação pude reconstituir de forma reduzida a saga da família de Octaviano que se segue nesse texto resumido:
OTAVIANO AUGUSTO ALVES DE LIMA.

Ele era tieteense nascido em 1848 e falecido em São Paulo em 1921. Era filho do comendador Antônio Manuel Alves e de dona Maria Leopoldina de Almeida. Ainda jovem, foi para o Rio de Janeiro onde se empregou como caixeiro de importante casa comercial. Voltando para Tietê, casou-se em 1866 com dona Isabel de Arruda Leite, viúva de Antônio Dias de Aguiar e filha de José de Arruda Leite Penteado e foi morar em Capivari na Fazenda São João , de propriedade de sua esposa Isabel . .Dedicou-se então ao cultivo de café e era proprietário também da Fazenda Ribeirão Fundo em Tietê. Nessa cidade serviu como vereador suplente no quatriênio de 1877 a 1880; foi suplente de Delegado de Polícia, empossado em 6 de agosto de 1885, e, Juiz de Paz na última legislatura do Império, de 1887 a 1889.

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Os filhos de Octaviano Augusto e Isabel: Joaquim Bento Alves de Lima, Octaviano Alves de Lima e Antonio Manoel Alves de Lima tiveram papel fundamental na continuidade dos negócios dos pais da fazenda Ribeirão Fundo, em Tietê e na Fazenda São João, em Capivari.


Joaquim Bento Alves de Lima fundou a empresa Casa Comissária de Café Freitas, Lima, Nogueira & Cia, conhecida em Santos como Casa Telles da qual era sócio . Junto com os irmãos era membro ativo das decisões Automóvel Clube de São Paulo, Clube Comercial, Clube Atlético Paulistano, Sociedade Hípica Paulista, Jockey Club, Clube de Campo Santo Amaro.
Octaviano Alves de Lima além de suas ações junto aos irmãos teve participação efetiva como presidente diretor do “Café Paulista S.A.” Tinha se fixado na Argentina, em Buenos Aires desde 1911, por iniciativa de seu pai Octaviano Augusto Alves de Lima. Foi ainda diretor do Banco Noroeste de São Paulo em 1924-25; sendo depois, em 1928, chefe da missão Instituto Brasileiro do Café. Foi grande produtor de café em Campinas pois foi proprietário da Fazenda Chapadão, herdada por sua esposa Anna Telles, e criou a Cooperativa Central dos Cafeicultores. Tornou-se, desde 1931, proprietário e diretor da empresa Folha da Manhã Ltda (hoje Folha de São Paulo) e Folha da Noite. Foi autor do livro “Revolução Econômico-Social”.
Antonio Manoel Alves de Lima em 1884 aos onze anos fez uma viagem à Alemanha e ficou até 1895. Neste período viveu em casa de um professor e seus estudos foram praticamente auto didáticos. Teve quase toda a sua vida ligada ao desenvolvimento da Agricultura do Estado de São Paulo, primeiro atuando na fazenda Ribeirão Fundo de propriedade de seus pais em Tietê, onde desenvolveu atividade cafeeira e mais tarde, como já na área de comercialização do café através da criação de casas de café do Brasil na Argentina em continuidade ao pioneirismo do pai . Sua participação não ficou restrita à produção e comercialização do café, também foi Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo e como diretor do antigo Instituto do Café


Voltando um pouco no tempo, na última década dos anos 1800 Octaviano Augusto Alves de Lima , sua esposa Isabel Arruda Alves de Lima e seus 5 filhos que moravam em Tietê, vinham à capital paulista com frequência para comercializar o produto, que naquela época, era vendido antes mesmo de ser produzido e era frequente se hospedarem no Hotel France , um dos melhores de São Paulo na época.


Em 1896 os negócios iam muito bem, como atesta um anúncio no Estadão até a chegada da crise do café e de uma intensa geada que queimou toda a safra, que já havia sido negociada. Endividados, Octaviano, e Izabel, vendem a propriedade hipotecada junto ao Banco de Crédito Real em 1897 para pagar os credores e mesmo sem recursos após um tempo em São Paulo, imigram para Buenos Aires, que já era uma metrópole com 2 milhões de habitantes, onde em outubro de 1902 fundam o célebre CAFÉ PAULISTA que grandes benefícios trouxe para o desenvolvimento do comercio exterior do café paulista e sucesso para seus proprietários. Fato curioso é uma nota publicada pelo Jornal “O Estado de São Paulo” na edição de 9.6.1902 que alerta para a existência de um sitio de 25 alqueires de propriedade de Antonio Alves dos Santos e Felisbino Pires de Camargo , sitio esse encravado na Fazenda Ribeirão Fundo. Esse sitio foi adquirido por permuta entre os novos proprietários e Octaviano Augusto Alves de Lima e sua esposa Isabel, com escritura em 11.9.1893 e com registro em cartório de Tietê em 28.10.1893. Em 12.8.1904 um anuncio publicado no mesmo jornal revela que a Fazenda já era de propriedade de Prado Chaves & Companhia.

Em 1905, um dos filhos de Octaviano Augusto, Joaquim Bento, casa-se com Isaura, filha do empresário Antônio Carlos Silva Telles, capivariano , viúvo e pai de outros 4 filhos. Como presente de casamento, eles ganharam de Antônio Carlos uma casa na esquina das Ruas Nothmann e Conselheiro Nébias, no bairro de Campos Elíseos em São Paulo.

A recém-casada Isaura foi morar na nova casa com seus dois irmãos menores, Anna e José. Em 1910, quando Anna completa 20 anos, Isaura apresenta para a irmã o cunhado Octaviano Filho.

Um ano após se conhecerem, eles se casam e, a exemplo da irmã, Anna ganha como presente de casamento do pai a casa vizinha a que morava sua irmã Isaura. Construído entre os anos de 1912 e 1914 e localizado no número 1149 da rua Guianases, o imóvel, de mil metros quadrados, é um dos remanescentes do período áureo do café paulista. Seu estilo arquitetônico, bem mais moderno que o padrão da época em que foi construído, tem uma explicação. Projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo, a residência sofreu uma ampla reforma em 1944 realizada pelo arquiteto francês Jacques Pilon. Naquele momento foram removidos os traços característicos da arquitetura eclética, um padrão das obras de Azevedo, pelo modernista que era contemporâneo ao período da reforma.

Até alguns anos atrás seu estado de conservação era apenas razoável, mas em 2015 o empresário Luís Eduardo Alves de Lima, decide restaurar o velho casarão da família, dando para ela um futuro brilhante e digno de sua história e é criada a Casa da Don´Anna, destinada a eventos sociais e corporativos.


Em 1915, Octaviano Augusto e Izabel voltam ao Brasil e vão morar na casa
do filho Octaviano e Anna e o Café Paulista passa a ser presidido por Octaviano Filho que fica na Argentina com sua esposa Anna Telles.
Após o falecimento de Octaviano e Izabel, em 1921, Octaviano Filho e Anna retornam ao Brasil trazendo com eles os quatro filhos argentinos, sendo duas mulheres e dois homens. Anos mais tarde, nasce o único filho brasileiro do casal, o caçula Carlos Alberto, pai do atual proprietário.
Assim o casarão teve genética tieteense e recursos capivarianos.

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