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Mesmo acima da sua capacidade de atender Santa Casa acolhe a todos

Capivari

Mesmo acima da sua capacidade de atender Santa Casa acolhe a todos

O município, que deveria destinar 15% para a Saúde, gasta em torno de 30% da sua receita. Como instituição, a Santa Casa de Misericórdia de Capivari precisa e deve ser preservada. Não concordo, não aceito que se macule a imagem de um hospital que há mais de 100 anos presta serviços da mais alta relevância para a população. Defendo uma ampla mobilização da sociedade em favor da Santa Casa. Todos nós devemos referenciar o trabalho de todos os funcionários, enfermeiros e médicos que desenvolvem com amor seu trabalho, mesmo tendo muitas vezes seus salários atrasados.

Temos que deixar o oportunismo político de lado e ter o apoio de toda a classe política para que nos ajude, viabilizando recursos, debatendo questões de fundo, que possam construir soluções estruturantes no contexto do município. Os prefeitos da nossa microrregião precisam dotar suas cidades de uma estrutura mínima de atendimento da sua população. Fazer política de Saúde, não é somente comprar ambulância para transportar pacientes para serem atendidos em Capivari.

A Santa Casa de Capivari é o único hospital de referência na microrregião para a baixa e média complexidade. Atende 80,4% de toda a cirurgia da microrregião. O nosso Pronto Socorro tem as portas abertas permanentemente, onde são atendidas em média 200 pessoas diariamente, não apenas os pacientes regulados no município, como também da microrregião, além da demanda espontânea que é aquele paciente que chega ou é trazido aqui, em situação crítica, por conta própria.

A Instituição sofre as consequências dos problemas do sistema de saúde. Mesma acima da sua capacidade, ela acolhe a todos. Em vez de ser criticada, tem de ser enaltecida porque não deixa ninguém sem atendimento. Os municípios próximos a Capivari, as Prefeituras, não estruturam nem maternidades onde possam ser realizados partos. As gestantes são trazidas para cá. A regulação de pacientes, tanto a estadual, como a municipal e a regulação do próprio hospital, é o encaminhamento dos pacientes aos locais com capacidade de atendimento, onde há equipes de profissionais capacitados, equipamentos para atender aquela necessidade clínica específica. Mesmo quando nossa capacidade de atendimento foi atingida, nós os acolhemos, ainda que os colocando no ambulatório até que tenhamos vaga no espaço adequado.

A regulação é uma necessidade cada vez mais premente e complexa. É por meio dela que o município e o estado regulam o fluxo entre os hospitais e os serviços de atendimento de urgência. No caso do Estado e da Prefeitura, os Governos estão alinhados para melhorar o sistema. Os Hospitais mais complexos ainda sofrem por serem a última trincheira assistencial sem opção de recusa. Fico triste, quando vejo na mídia, alguns criticarem (muitos por desinformação, outros por má-fé), o fato de haver pacientes não atendidos ou mal atendidos. Como foi o caso de uma senhora que veio até a Santa Casa solicitando uma cirurgia, porque haviam feito uma TOMOGRAFIA em outro Hospital e, no exame, constava que o Intestino estava perfurado. Os cirurgiões da Santa Casa não podiam simplesmente encaminhar a senhora para a cirurgia. Eles tiveram a cautela de analisar a evolução dos sintomas.

Como a paciente estava desenvolvendo um quadro clínico favorável, diferente do que apontava a TOMOGRAFIA, foi solicitada outra tomografia com laudo médico, que apresentou múltiplas bridas aderências de intestino delgado e grosso, bridas inter-alças e com parede abdominal, intestino delgado encarcerado dentro de hérnia crural, tudo isso para preservar a vida da paciente.

Neste meio tempo também foi solicitado uma vaga na UTI da Unimed, nossa parceira das horas difíceis. A UTI estava lotada, já tínhamos transferido três pacientes naquele dia. Como a evolução do quadro clínico da paciente estava estável os médicos por precaução opinaram por esperar a vaga na UTI antes de fazer a cirurgia, que aconteceu assim que a vaga de UTI foi liberada.

Agora, vem uma senhora e seus seguidores nas redes sociais, publicar uma matéria dizendo que a paciente ficou nove dias sem alimentação, isto é, sem comer e beber e sendo mal atendida. Isso não é verdade e podemos dizer: é pura maldade e desrespeito com todos os funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Capivari.

Para conhecimento e informação aos urubus de plantão, foi realizado o seguinte procedimento: jejum com sonda nasogástrica em drenagem do dia 29 de dezembro ao dia 2 de janeiro, nos dias 2, 3 e 4 de janeiro foi liberada a dieta líquida. No dia 5, a paciente permaneceu em jejum para fazer a cirurgia. Eu pergunto a quem tem este tipo de visão equivocada: o que é melhor, mais humano, acolher quem nos procura em busca de socorro médico, da forma possível ou simplesmente, fechar as portas da Santa Casa? Num hospital particular, quando não há vaga, o paciente é barrado na portaria.

É preciso inverter esta lógica de só apontar os 5% de problemas que eventualmente podemos ter. As pessoas, a sociedade de um modo geral, não pode esquecer, nem ignorar os 95% de coisas boas que a Santa Casa faz para a comunidade. Em um mês, mais de 6 mil pessoas são atendidas, mais de mil oriundas da microrregião, isto considerando apenas os pacientes encaminhados, sem contar os que vem por conta própria. Por que a Santa Casa fala em prejuízo com o atendimento no Pronto Socorro. O hospital não recebe do SUS para prestar este serviço, só recebe do SUS quando o paciente é internado, gerando uma AIH (Autorização de Internação Hospitalar). Quando o paciente não é internado, todo custo com medicamentos, profissionais e uso dos equipamentos é bancado pelo município. A medida que cresce o volume de atendimentos e a gravidade dos casos, os custos do Pronto Socorro ficam ainda maiores.

A Santa Casa é uma instituição privada sem fins lucrativos e que conta com doações da comunidade para dar continuidade aos projetos realizados no Hospital e para garantir melhorias no atendimento aos pacientes. Toda ajuda da comunidade é de extrema importância para conseguirmos manter um atendimento digno e humanizado para Capivari e os demais municípios da microrregião.

Texto enviado por Ivan Rosatto de Carvalho, Secretário Municipal da Saúde e Interventor da Santa Casa de Misericórdia de Capivari

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